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Dia das Mães

  • 08/05/2026
  • Por Marina Correa

SER MÃE À LUZ DO ESPIRITISMO

O Dia das Mães, celebrado no Brasil, convida-nos a refletir sobre a maternidade para além das homenagens e das flores. Em diferentes tradições religiosas, a figura materna ocupa lugar de respeito e centralidade espiritual. No cristianismo, a imagem de Maria simboliza cuidado e entrega.

O Dia das Mães, celebrado no Brasil, convida-nos a refletir sobre a maternidade para além das homenagens e das flores. Em diferentes tradições religiosas, a figura materna ocupa lugar de respeito e centralidade espiritual. No cristianismo, a imagem de Maria simboliza cuidado e entrega. No judaísmo, a maternidade representa continuidade e pertencimento. No islamismo, há um ensinamento atribuído ao profeta Maomé que afirma que “o paraíso está aos pés das mães”. Já no budismo e nas tradições orientais, a maternidade é frequentemente associada à compaixão e ao acolhimento.

Entretanto, é na doutrina espírita que encontramos uma compreensão profundamente sensível da maternidade como missão espiritual e oportunidade de crescimento mútuo entre espíritos.

Para Allan Kardec, os laços familiares não são frutos do acaso, mas encontros providenciais de espíritos em processo de aprendizado e evolução. A maternidade, nesse sentido, ultrapassa o vínculo biológico: ser mãe é receber, orientar, cuidar e auxiliar um espírito em sua caminhada terrena.

Na visão espírita, a mãe não é proprietária do filho, mas companheira de jornada. O lar torna-se espaço de educação moral, de exercício da paciência, da renúncia, do amor e da caridade. Muitas vezes, mães e filhos reencontram-se para reparar dores do passado, fortalecer afetos ou construir novas possibilidades de crescimento espiritual.

As mensagens de Chico Xavier sempre ressaltaram o amor materno como uma das mais elevadas expressões da lei divina. Em inúmeras cartas e ensinamentos, o médium destacou o papel das mães que, mesmo diante das dificuldades, permanecem sustentando seus filhos com ternura, coragem e fé.

No entanto, a reflexão espírita também nos convida a olhar para as mães reais, concretas, muitas vezes invisibilizadas em sua dor cotidiana. Há mães solo que carregam sozinhas o peso do sustento emocional e material da família. Há mães atravessadas pela violência doméstica, pelo abandono, pela exaustão física e emocional. Há mães que choram em silêncio enquanto continuam cuidando, trabalhando e resistindo.

Falar sobre maternidade no espiritismo não pode significar romantizar o sofrimento feminino. A caridade ensinada pela doutrina espírita também exige acolhimento, escuta, empatia e responsabilidade coletiva. Não basta exaltar as mães em discursos; é necessário ampará-las em suas necessidades concretas.

Talvez uma das maiores mensagens do espiritismo sobre a maternidade esteja justamente na compreensão de que amar é cuidar. E cuidar implica presença, respeito, solidariedade e compromisso com o outro.

Neste Dia das Mães, que possamos homenagear não apenas a imagem idealizada da mãe, mas as mulheres reais que sustentam vidas diariamente, muitas vezes em silêncio. Que possamos reconhecer, em cada gesto materno de cuidado, uma manifestação viva da espiritualidade, da esperança e da luz divina.

Porque ser mãe, à luz do espiritismo, é muito mais do que gerar um corpo: é auxiliar um espírito a florescer.